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Recuperados da Covid-19 mantêm cuidados mesmo após infecção


O Brasil têm, de acordo com dados do Ministério da Saúde, quase 1 milhão de recuperados da covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. Para alguns, o fato de já ter tido a doença é motivo para relaxar e não seguir à risca as recomendações para evitar o contágio. Para outros, a rotina de cuidados não mudou e inclusive ficou maior.

Segundo especialistas, não há evidências científicas de que quem contraiu a covid-19 não vá se contaminar de novo. Além disso, por ser uma doença nova, os efeitos do vírus a médio e longo prazo não são totalmente conhecidos. Quem teve a infecção pode ainda apresentar eventuais complicações. 

“Eu estou bem mais medroso, mais receoso. Se eu lavava minha mão antes, agora lavo duas vezes mais. Higienizo as coisas que trago da rua. O cuidado aumentou depois que passei pela doença e sei como é”, conta o farmacêutico Marcus Túlio Batista, 27 anos. Ele começou a sentir os sintomas no dia 14 de junho. Teve dor de garganta, perda de olfato e paladar, indisposição e dores no corpo. 

“Quando você pega, vê que a doença vai além do físico. Eu acho que talvez o emocional seja até muito mais abalado”, diz e complementa: “Eu moro sozinho em Brasília. Minha família é de outro estado. Isso me causou bastante impacto porque além do isolamento, você tem medo de como vai evoluir, não sabe como o seu corpo vai lidar com isso. Eu fiquei bastante ansioso”, conta.

Na casa da artista plástica e produtora cultural Leticia Tandeta, 59 anos, no Rio de Janeiro, quase todos foram infectados em meados de maio. Ela, o marido, o filho e o irmão. “Ficamos praticamente todos doentes ao mesmo tempo. A sorte foi que todos tivemos sintomas brandos, ninguém teve falta de ar ou uma febre absurdamente alta”, diz. A única que não adoeceu foi a mãe de Leticia, que tem 93 anos. A família tomou o cuidado de isolá-la e de separar tudo que era usado por ela. 

“Hoje é estranho porque não sabemos se estamos imunizados ou não”, diz Leticia. “Os médicos dizem que provavelmente temos algum tipo de imunização, talvez de um mês, dois meses, três”. Por causa das incertezas, ela diz que a família continua tomando cuidados como sair de casa o mínimo possível, apenas quando necessário, usando sempre máscara. Já ter contraído a doença, no entanto, traz um certo tipo de relaxamento: “Não é que a gente relaxe nos cuidados, mas há um certo relaxamento interno sim”. 

De acordo com o infectologista Leonardo Weissmann, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, mesmo quem já teve a doença deve continuar tomando cuidado. “Não temos certeza, por enquanto, de que quem teve covid-19 uma vez não terá novamente. É importante que quem já teve a doença continue se prevenindo. Continue com as medidas preventivas, usando máscaras, higienizando as mãos e evitando aglomeração”.

As pessoas que já foram infectadas, de acordo com Weissmann, assim como as demais, podem ajudar a propagar o vírus caso não tomem os devidos cuidados. “Mesmo a pessoa que não estiver infectada, se ela puser a mão em um lugar contaminado, ela pode carregar o vírus. Por isso é importante estar sempre higienizando as mãos, lavando com água e sabão ou com álcool 70%”, orienta. 

Síndrome da Fadiga Crônica

Em março, a psicóloga Joanna Franco, 37 anos, teve dores no corpo, tosse seca, dor de cabeça, febre alta, dificuldade de respirar, perda de olfato e paladar, diarreia e vômito. Na época que recebeu o diagnóstico clínico de covid-19, o Brasil começava a adotar medidas de isolamento social. Morando sozinha em Niterói, ela cumpriu todas as regras de quarentena e de isolamento social. Os sintomas passaram. Para garantir que não transmitiria o vírus para ninguém, ela ainda permaneceu em isolamento por cerca de 40 dias. Foi então que percebeu que não estava totalmente recuperada, estava muito cansada. “Vinha um cansaço, parecendo que eu tinha subido ladeiras, uma sensação de que isso nunca ia acabar, que não ia sair de mim. Fiquei bem prostrada”. 

Quase três meses depois, ela diz que se sente melhor, que está conseguindo retomar uma rotina de exercícios físicos, que antes eram impossíveis. Depois de passar pelo que passou, ela redobrou todos os cuidados que já vinha tendo. “Depois de ter passado, não quero vivenciar isso de novo e não quero que outras pessoas vivenciem”, diz. 

O cansaço que Joanna sentiu após se recuperar da doença pode ter sido a chamada Síndrome da Fadiga Crônica, que tem sido relatada por pessoas que foram contaminadas pela covid-19, segundo o neurologista, pesquisador do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) e da Universidade Federal Fluminense (UFF), Gabriel de Freitas. O principal sintoma é o cansaço, mas pode haver alteração na pressão, na frequência cardíaca e insônia. “O que predomina é a  fadiga, o cansaço. A pessoa não consegue trabalhar, não consegue voltar à atividade”, afirma. 

A síndrome não é exclusiva do novo coronavírus, mas ocorre também por causa de outros vírus. Ela pode durar até cerca de um ano, é mais frequente em mulheres entre 40 e 50 anos e que tiveram covid-19 pelo menos de forma moderada. Mas, de acordo com Freitas, ainda há muitas dúvidas pelo fato de ser uma doença recente. Para o tratamento, geralmente é recomendada psicoterapia, atividades físicas, antivirais e antidepressivos. 

“Essa síndrome traz uma angústia muito grande para as pessoas porque fadiga não é um sintoma mensurável. Não se consegue mensurar por exame. Muitas vezes é mal compreendido”. 

Gabriel diz que a pandemia pode ser mais complexa do que se pensa e defende que todos os cuidados possíveis sejam adotados. “Parece que não é estar recuperado e ponto final. Talvez essas pessoas tenham mais sintomas. A Síndrome da Fadiga Crônica pode ser apenas um deles. Acho que a gente não tem essa informação. É possível que existam complicações a médio e a longo prazo. O que alguns autores colocam é que as medidas de isolamento social são importantes não só para evitar a morte. A gente tem que levar em consideração e colocar nessa equação as complicações a médio e longo prazos”. 

Medo e ansiedade

Além de lidar com os sintomas da covid-19 e com as consequências da doença, muitas pessoas estão lidando com sintomas de ansiedade, de acordo com a psicóloga da equipe de coordenação de saúde do trabalhador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Marta Montenegro. “A covid-19 é uma doença muito nova, recente, um vírus cujas informações foram se construindo nesse processo de pandemia. Os próprios profissionais de saúde estavam tentando entender as formas de cuidado e isso deixa as pessoas muito inseguras. O ser humano se sente mais seguro se tiver previsibilidade do que vai acontecer. Essa incerteza sobre formas de contaminação, se pode ou não se contaminar de novo, deixa as pessoas vulneráveis”, explica. 

De acordo com a psicóloga, buscar informações confiáveis ajuda a lidar melhor com a pandemia. “Buscar informação válida, de fontes confiáveis. Isso alivia sintomas emocionais. Às vezes, as pessoas estão em casa recebendo informações que nem sempre são as melhores e  acabam ficando muito confusas. Depois de três meses, acham que só estão protegidas dessa forma. Isso acaba gerando um medo de sair de casa. No outro extremo, há pessoas saindo como se não tivessem o vírus, em um processo de negação por dificuldade de lidar com a situação. São dois extremos. Existe o vírus. É necessário manter medidas de biossegurança, mas isso não pode paralisar as pessoas”, acrescenta. 

Fonte: AgenciaBrasil.

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Brasil

Liberação de vacinas de Covid-19 será no ‘menor tempo possível’, diz presidente da Anvisa


O diretor-presidente interino da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres, afirmou nesta segunda-feira (19) que a vacina contra a Covid-19 será liberada no “melhor tempo, o menor possível”. O presidente da agência, que passou por sabatina no Senado nesta tarde para ser confirmado no cargo, disse que não é possível dar uma data para a vacina.

—  Esta agência dará a resposta no melhor tempo, o menor possível, é claro. Porque nós temos, todos nós, familiares, parentes que já faleceram por causa dessa doença. Então, o nosso interesse é institucional e, é claro, também pessoal, como cidadãos — disse Barra Torres.

Sua indicação foi aprovada por 14 votos a 3 na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), restando agora a votação em plenário, que deve ocorrer também nesta semana.

Há, no momento, quatro protocolos para vacinas em desenvolvimento no país, mas o chefe da agência de vigilância sanitária garantiu que nenhum deles já entrou com pedido de registro. Hoje, o fundo soberano russo responsável pelo financiamento da vacina Sputnik V afirmou que o imunizante deve começar a ser produzido em larga escala no Brasil em dezembro. Para que isso aconteça, ainda é preciso que a Anvisa aprove os ensaios clínicos e o produto, mas a Anvisa ainda não recebeu os estudos clínicos da vacina russa.

Já foram autorizados pela Anvisa os ensaios clínicos das vacinas da Johnson & Johnson (EUA/Bélgica), da Universidade de Oxford/AstraZeneca (Reino Unido), da Sinovac Biotech (China) e da Pfizer/BioNTech (EUA/Alemanha).

— Quanto ao prazo de resposta da agência em termos de registro, será na melhor data. Qualquer um que hoje disser ‘dia tal estarei iniciando campanha de vacinação’ está se lançando em um território extremamente perigoso e com chance muito grande de ter que se desdizer em um curto intervalo de tempo — disse ele.

Antonio Barra Torres está no comando da Anvisa desde dezembro do ano passado, após o fim do mandato de William Dib. Em janeiro deste ano, Bolsonaro indicou Barra Torres para ser efetivado na presidência da agência.

Fonte: https://oglobo.globo.com/

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Brasil

Brasil registra 153.982 mortes por Covid-19, diz consórcio de imprensa

Foto : Divulgação/Governo de Pernambuco

O Brasil contabiliza 153.982 óbitos e 5.237.961 contaminações em decorrência da Covid-19, de acordo com boletim das 13h divulgado hoje (19) pelo consórcio de veículos de imprensa – formado por O Globo, Extra, G1, Folha de S.Paulo, Uol e O Estado de S. Paulo.

Pela manhã, às 8h, o consórcio publicou a primeira atualização do dia com 153.912 mortes e  5.233.677 casos.

Ontem (18), às 20h, o balanço indicou 153.885 mortes confirmadas, sendo 195 em 24 horas. Desde então, 7 estados atualizaram seus dados: BA, CE, GO, MG, MS e PE.

Leia a matéria original em Metro1

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Brasil

Governo quer acabar com aumento real de piso salarial de professor


O governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) quer vincular o reajuste do piso salarial dos professores da educação básica à inflação, o que eliminaria o ganho real previsto na lei atual. De acordo com informações do jornal Folha de S.Paulo, a proposta é alterar a Lei do Piso na regulamentação do Fundeb.

A lei, de 2008, liga o reajuste anual à variação do valor por aluno no Fundeb, o que proporciona aumento acima da inflação, mas pressiona contas de estados e municípios. Entretanto, o governo quer que a atualização seja feita apenas pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

O último aumento foi de 12,84%, quando o piso salarial chegou a R$ 2.886,24. Agora, se a regra já estivesse valendo, o reajuste de 2019 teria sido de 4,6%. A proposta consta em um posicionamento do governo sobre o projeto de regulamentação do Fundeb da Câmara, que redirecionaria recursos de impostos da União à educação básica.

Fundeb

O Congresso ampliou este ano o Fundeb, principal mecanismo de financiamento da educação básica. A complementação da União saltará dos atuais 10% para 23% até 2026, de forma escalonada.

“Maior complementação da União e nova distribuição de recursos elevarão significativamente o valor anual por aluno mínimo recebido, o que impactará o piso em cerca de 15,4% ao ano nos próximos seis anos”, diz justificativa do governo que sugere a inclusão de artigo no projeto de regulamentação.

Leia a matéria original em Metrópoles

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