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Saúde

Saiba por que as crianças não estão imunes ao coronavírus; confira mitos e verdades


“Comecei a flexibilizar as atividades com o meio externo pouco após o período junino. Passei a levá-la para dar passeios ao ar livre, andar de bicicleta na casa dos avós e interagir com algumas crianças no playground do prédio. Porém, a pandemia ainda é real. Pode ser que em relação à interação com outras crianças, mesmo com todos os cuidados, eu passe a analisar mais a questão de ambientes e números de crianças juntas”, afirma a publicitária Ana Christina Reis, mãe de Valentina, 6 anos.

A preocupação de mães e pais, como Ana, tem um motivo. Segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde (Sesab), dos 31 leitos de UTI pediátrica que a Bahia dispõe no momento para tratamento de covid-19, mais da metade deles está ocupada (61%). Já na enfermaria, a taxa de ocupação é de 72% do total de 39 leitos. Ao todo, 13.576 crianças de 0 a 9 anos já foram contaminadas pelo coronavírus.  

O número limitado de 70 leitos pediátricos é decorrente do baixo volume de confirmação de casos no estado, taxa que se encontra atualmente em 4,1%. O que chama atenção ainda são os dados ligados à Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SMIP).

Até o dia 9 de outubro, foram registrados 35 casos confirmados da doença associada ao novo coronavírus. Destes, 22 casos (62,86%) ocorreram em pacientes do sexo masculino e 13 (37,14%) em pacientes do sexo feminino. Em relação à faixa etária, o intervalo de 5 a 9 anos foi o mais acometido representando 42,86%. Duas crianças morreram.

Para a professora do Instituto de Saúde Coletiva da Ufba, pesquisadora associada ao Cidacs/Fiocruz e uma das coordenadoras executivas da Rede CoVida, Maria Glória Teixeira, o crescimento dos casos de ocorrência da síndrome acende o alerta para o risco de contaminação em crianças e adolescentes. Entre os meses de agosto e outubro, o número de casos confirmados subiu 150%, de 14 para 35.

“Logo no início da pandemia, as crianças se expuseram menos, comparado aos adultos e idosos. O que pode estar acontecendo agora é um deslocamento de faixa etária. Os pacientes infantis que estão evoluindo para casos mais graves é um sinal de alerta para que  todos os cuidados sejam redobrados nesse momento”.

Algumas flexibilizações têm maior risco do que outras, como pontua a infectopediatra do Departamento de Infectologia Pediátrica da Sociedade Baiana de Pediatria (Sobape), Anne Galastri. “A recomendação é que qualquer pessoa que tenha uma doença crônica que não está controlada, que tenha uma deficiência de imunidade deve ser avaliada pelo seu pediatra antes de voltar às atividades normais”, aconselha.

Em Salvador, o prefeito ACM Neto também demonstra apreensão. Com base em dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), são 47 leitos pediátricos. Destes, 74% dos leitos de UTI estão ocupados e 59% dos leitos clínicos também.

“O que a gente tem percebido é que esse aumento está acontecendo no meio da semana, que pode ter relação direta com o que acontece no final de semana. Chega final de semana, os pais saem com a criança, encontra os vizinhos, vai para o parquinho ou para o shopping e isso faz com que elas fiquem mais expostas. É preciso ter vigilância, atenção”, disse ele, na sexta-feira.

E as escolas?
O cenário atual fez ainda com que o prefeito recuasse do plano de reabertura das aulas presenciais. “Houve esse movimento que nos chamou a atenção e vamos aguardar para ver se o aumento é momentâneo ou se é algo permanente”, disse. 

O diretor do Sindicato das Escolas Particulares da Bahia (Sinepe-BA) , Jorge Tadeu, argumenta a favor do retorno facultativo. “O retorno em 2020 é importante para começar a organizar 2021”. 

10 MITOS E VERDADES

Crianças só desenvolvem casos brandos? Na faixa pediátrica de crianças saudáveis, em sua maioria, são formas assintomáticas, leves ou moderadas da covid-19. Poucas podem desenvolver manifestações potencialmente fatais, quando comparadas aos adultos. 

O sistema imunológico das crianças é mais resistente do que o dos adultos?  Não. A infectopediatra do Departamento de Infectologia da Sociedade Baiana de Pediatria (Sobape), Anne Galastri, diz que o que acontece é que, nos primeiros anos de vida, as crianças são poupadas de uma infeção mais grave, provocada pelo coronavírus.

A Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P) é grave?  Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), crianças e adolescentes que estejam na faixa etária entre 0 e 19 anos podem apresentar rápida progressão para formas graves da doença. Apesar de ainda não existir nenhuma pesquisa conclusiva sobre a relação exata entre a síndrome e o coronavírus, em alguns casos a doença pode levar a criança à óbito 

Este é mesmo o momento certo de flexibilizar atividades também para as crianças?  A professora do Instituto de Saúde Coletiva da Ufba, pesquisadora associada ao Cidacs/Fiocruz e uma das coordenadoras executivas da Rede CoVida, Maria Glória Teixeira, afirma que o momento pede que os pais aumentem os cuidados. “As crianças que estão apresentando casos mais graves é um sinal de alerta para redobrar todos os cuidados”, orienta. 
 
As crianças tem baixa capacidade em transmitir o vírus?  Seja na criança ou no adulto, quanto menores os sintomas menor a transmissão do vírus, como aponta Anne Galastri. “Com base nas informações que se tem até agora, quanto menos vírus você tem, menor a carga de transmissão. Isso não elimina a manutenção de cuidados de higienização das mãos com água e sabão ou álcool em gel nem as medidas de distanciamento social e uso de máscara”.  

 A reabertura das escolas pode aumentar o número de contaminações pela doença? Maria Glória Teixeira acredita que sim. “É justamente por isso que as escolas ainda não abriram. Reforço que ainda é preciso ter mais prudência. É um doença que precisa ser mais estudada”.

Quantos leitos a Bahia dispõe hoje para tratamento infantil da covid-19? Segundo a Sesab, são 70 leitos – a taxa de contaminação infantil é de 4,1%. 

Crianças e adolescentes podem ser contaminar mais de uma vez?  Ainda não existe uma informação científica sobre isso, mas a  faixa etária infantil não está livre de uma reincidência da doença. 

E as crianças que tem problemas respiratórios, cardíacos ou são diabéticas também fazem parte do grupo de risco? O potencial de risco vai depender da gravidade da infecção. “São crianças que têm mais risco de desenvolver formas mais graves, como pacientes que têm câncer, por exemplo. No entanto, se doenças respiratórias como asma estiverem controladas, a tendência é que seja mais brando também”, diz Anne Galastri.

Pacientes infantis também podem desenvolver sequelas por conta do coronavírus? Tudo vai depender da gravidade do quadro.

Fonte: Correio24horas

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Saúde

Senado mexicano aprova lei para ampla descriminalização da maconha


Em um dia classificado como histórico por parlamentares mexicanos, o Senado do país aprovou a legalização da maconha para usos recreativo, científico, médico e industrial, o que pode criar o maior mercado de cannabis do mundo em uma nação assolada pela violência dos cartéis do narcotráfico.

Agora, a chamada Lei Geral para Regulamentação da Cannabis deve ser votada na Câmara dos Deputados antes do término da atual legislatura, em 15 de dezembro.

O Movimento para Regeneração Nacional (Morena), que compõe o governo, e seus aliados contam com maioria nas duas Casas Legislativas.

A iniciativa proposta pelo Morena inclui, entre outros pontos, a criação do Instituto Mexicano para a Regulação e Controle da Cannabis, um órgão descentralizado da Secretaria de Saúde do país.

A nova entidade poderá emitir cinco tipos de licenças para controlar algumas das atividades relacionadas com o cultivo, a transformação, venda, pesquisa, exportação e importação da maconha. 

Em seu primeiro artigo, a nova lei, aprovada com 82 votos a favor, 18 contra e sete abstenções, diz que busca “melhorar as condições de vida” dos mexicanos e “contribuir com a redução da incidência de delitos vinculados ao narcotráfico”.

“Finalmente chegou a hora de um tema vital para o desenvolvimento do país”, disse o senador independente Emilio Álvarez Icaza em discurso. “É um tema que devemos discutir há muitos anos”.

Desde que assumiu a Presidência em dezembro de 2018, o presidente Andrés Manuel López Obrador colocou em pauta o tema da descriminalização da maconha e de outras drogas como parte de sua estratégia para combater o poderoso crime organizado. Fonte: AgênciaBrasil.

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Saúde

Ministério da Saúde só irá agir contra ‘segunda onda’ de Covid-19 quando as mortes aumentarem


A cúpula do Ministério da Saúde não pretende endurecer restrições para o controle da pandemia, como o isolamento social ou aumento no número de testes, até que a média diária de mortes volte a subir consideravelmente. O alerta somente será disparado, segundo relatos feitos ao Estadão, quando houver alta consistente no número de óbitos pela doença.

A recomendação vai totalmente de encontro ao que o do neurocientista e coordenador do Comitê Científico do Nordeste, Miguel Nicolelis, alertou em entrevista ao Aratu On. “Neste momento, nós temos que começar a preparar a população e preparar os estados e municípios para o que está por vir”, avisou.

Os secretários de estados e municípios compartilham da visão do pesquisador e também pedem para que o ministério ajude a controlar a pandemia. De acordo com o Estadão, eles pedem reforço na estratégia de testes e que haja dinheiro disponível para equipar leitos exclusivos de Covid-19 em 2021, algo que não está previsto no orçamento.

Segundo apurou o jornal paulista, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, tem dito a interlocutores que, apesar do aumento de casos em alguns locais, não espera a mesma proporção de mortes do começo da pandemia. O general afirma que é preciso observar o comportamento do “novo ciclo” da doença na Europa, para compreender o possível recrudescimento da pandemia no Brasil. Ele analisa que o correto é avaliar a doença em “ciclos” em vez de “ondas”. 

Pazuello também argumenta que o tratamento do coronavírus avançou, mesmo que ainda não exista cura ou vacina para a doença. O ministro afirmou a auxiliares que ainda não vê razões para reforçar as medidas de proteção, pois o aumento da contaminação seria normal neste momento de relaxamento do distanciamento social. Para ele, a curva de óbitos é o indicador de que é preciso agir.

ISOLAMENTO

O discurso do governo Jair Bolsonaro é de que não cabe ao ministério da Saúde impor medidas para restringir a circulação de pessoas, como o fechamento de comércios e escolas, por exemplo, mas aos Estados e municípios. Na prática, a pasta nem sequer estimulou este debate, se limitando a entregar respiradores, custear leitos e repassar recursos para compra de insumos. 

Na quarta-feira (19/11), uma mensagem nas redes sociais do ministério teve de ser apagada por citar “isolamento social” como medida para segurar o vírus, além de reconhecer que não há vacina ou cura para a doença.  Fonte: AratuOn

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Saúde

Primeiro lote da vacina chinesa Coronavac chega a São Paulo


Chegou a São Paulo na manhã desta quinta-feira (19) o primeiro lote com 120 mil primeiras doses da vacina Coronavac, desenvolvida por uma farmacêutica chinesa contra a Covid-19. 

O material foi importado da China e no Brasil será produzido em parceria com o Instituto Butantan.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), acompanhou a chegada dos lotes no local.

As 120 mil doses que chegaram nesta quinta fazem parte de um lote de 6 milhões previsto para chegar até o final de dezembro.

Há algumas semanas a vacina foi tema de imbróglio entre o Ministério da Saúde, o presidente Jair Bolsonaro e o governador João Dória. 

O imunizante ficou no centro da disputa política depois que Bolsonaro esvaziou o plano de aquisição futura da Coronavac. Plano este que havia sido feito pelo próprio ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. Na época, Bolsonaro criticou o governador João Doria e disse que a vacina não era confiável por causa de sua origem.

Leia a matéria original em Bahia Notícias

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