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Governo usa gráfico genérico para dizer que vermífugo tem eficácia contra Covid

Sem divulgar dados completos e usando um gráfico idêntico ao de um banco de imagens, o governo informou nesta segunda-feira (19) que resultados de estudos clínicos apontaram que o vermífugo nitazoxanida teria ajudado a reduzir a carga viral em pacientes na fase inicial da Covid-19.

O resultado foi anunciado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia em cerimônia no Palácio do Planalto. Informações completas da metodologia e dos dados obtidos, porém, não foram divulgadas. Sem os números e um estudo já publicado, o governo se limitou a divulgar o resultado em discursos e por meio de um vídeo no início da cerimônia, no qual consta a imagem de um gráfico genérico, sem dados, com a frase “Nitazoxanida é eficaz!”.

O gráfico, porém, é idêntico a uma imagem disponível no banco de imagens Shutterstock. Questionado, o Ministério da Ciência e Tecnologia não respondeu sobre o que levou ao uso do gráfico genérico. Em discurso, representantes da pasta argumentaram que os resultados foram submetidos a uma revista científica internacional e que uma eventual divulgação prévia dos dados limitaria a publicação.

“Como cientistas, sempre pensamos que o artigo deve ser publicado e revisado por pares. Entretanto, mesmo na pandemia, há um tempo entre a submissão e a publicação. Seria correto omitir esse dado e aguardar que em um mês 14 mil pessoas morressem?”, afirmou a coordenadora do estudo, Patrícia Rocco, da UFRJ.

Segundo ela, o estudo, randomizado e duplo-cego, envolveu sete centros de pesquisa, distribuídos no estado de São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal. De acordo com o ministério, os dados correspondem ao resultado de testes em 500 voluntários.

Rocco diz que os voluntários foram divididos em dois grupos: um recebeu placebo e outro o medicamento, conhecido pelo nome comercial Annita. “Constatamos que a nitazoxanida, em comparação ao placebo, acarretou ao fim da terapia uma redução da carga viral e maior número de pacientes com resultados negativos para o Sars-CoV-2”, informou.

O estudo completo, porém, teria envolvido 1.575 participantes. O ministério atribui a diferença de dados ao fato de que uma parte do estudo ocorreu com pacientes com quadro grave e, em uma segunda etapa, em pacientes com sintomas iniciais da doença.

O resultado da primeira etapa ainda não está disponível. “Espero que nas próximas semanas tenhamos resultados”, disse Rocco. Segundo ela, pacientes da fase precoce tomaram somente a nitazoxanida e antitérmicos. “Não houve viés para que outras drogas pudessem ter efeito adicional ou melhor que a nitazoxanida.”

Também sem informar dados completos, o ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, comemorou os resultados e disse que o tratamento ajudou a reduzir a carga viral em pacientes com sintomas iniciais da doença. Ele ressaltou, porém, que o medicamento não pode ser usado para prevenção. “O que posso dizer é que temos agora um medicamento comprovado cientificamente que é capaz de reduzir a carga viral. Significa que reduz o contágio das pessoas que tomam o medicamento”, afirmou.

Em seguida, disse “passar o bastão” para que o Ministério da Saúde avaliasse uma oferta do remédio. Apesar da fala de Pontes, especialistas têm recomendado cautela sobre anúncios e apontam que, até o momento, ainda não há um medicamento comprovado para a Covid-19.

Nos últimos meses, pesquisadores também chegaram a cobrar mais transparência do ministério sobre os dados dos estudos que estavam em andamento. O início dos testes com a nitazoxanida foi anunciado por Pontes ainda em abril. Na época, o ministro evitou citar o nome do remédio.

O argumento era a necessidade de evitar uma corrida às farmácias – como ocorreu quando o presidente Jair Bolsonaro passou a defender publicamente a hidroxicloroquina como cura para a Covid-19. Esse remédio, porém, ainda não teve comprovação de eficácia em estudos clínicos.

Em discurso nesta segunda, Bolsonaro voltou a usar o evento para defender o remédio e fez ataques diretos ao ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, a quem chamou de “ministro marqueteiro”. No cargo, o ex-ministro se posicionou contra a ampliação da oferta da cloroquina.

Bolsonaro disse ainda que seu governo acertou no combate à doença, apesar de ser o segundo país com mais mortes registradas pela Covid-19, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.

“A história vai mostrar quem estava com a razão. A história vai mostrar quem se preocupou com a sua própria biografia”, disse, em referência ao ex-ministro. “E, no nosso ministério, chegamos à conclusão de que fizemos a coisa certa”, acrescentou.

Leia a matéria original em FolhaPE

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Brasil

Decreto contra medidas restritivas está pronto, diz Bolsonaro; “liberdade é o bem maior que podemos ter”

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse nesta sexta-feira (7/5) que o decreto contra medidas de isolamento durante a pandemia da Covid-19 “já está pronto”. Segundo ele, o decreto pretende garantir a “livre circulação no país”.

“Não recearei se tiver que tomar uma decisão. Creio que a liberdade é o bem maior que nós podemos ter. Tenho falado: se baixar um decreto, que já está pronto, todos cumprirão. E por que cumprirão? Porque esse decreto nada mais é do que a cópia dos incisos do artigo 5º da Constituição, que todos nós juramos defender”, disse o presidente durante inauguração da ponte sobre o Rio Madeira, em Abunã, Rondônia.

Ainda durante seu discurso, o mandatário lamentou as mortes em razão da Covid-19, mas disse que “o Brasil não pode parar”. “Pior que uma decisão mal tomada é uma indecisão. Nós não podemos, simplesmente, ficar em casa, dar as costas para as necessidades do nosso povo. Temos que nos apresentar, dar a cara a tapa, dar exemplo”.

“Todos nós preferimos morrer lutando do que perecer em casa. Eu me coloco na situação daqueles que perderam quase tudo ou tudo. […] Eu posso fazer semelhante ao que muitos já fizeram, mas o meu Exército, minha Marinha, minha Aeronáutica jamais irá às ruas para mantê-los dentro de casa”, declarou.

Na última quarta-feira (5/5), Bolsonaro disse que poderia editar decreto contra as medidas de lockdown adotadas por governadores e prefeitos na tentativa de conter a disseminação do coronavírus. 

Na ocasião, ele aproveitou para mandar um recado velado ao Supremo Tribunal Federal (STF) afirmando que após a definição do decreto nenhum tribunal poderia contestá-lo. O STF julgou que estados e municípios, assim como a União, têm atribuição para a tomada de decisões referentes ao controle do vírus. Fonte: AratuOn
 

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Brasil

ONU pede investigação independente sobre ação policial na favela do Jacarezinho

O escritório de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) solicitou nesta sexta-feira (7) uma investigação independente, e em linha com os padrões internacionais, sobre a operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro  contra o tráfico de drogas na favela do Jacarezinho, zona norte da cidade, que resultou em 25 mortes, incluindo a de um policial.

Cinco pessoas ficaram feridas, dentre elas estão dois passageiros do metrô do Rio que foram atingidos por projéteis dentro de um vagão durante o percurso que o trem fazia próximo à comunidade.

A operação de quinta-feira (6), que fez uso de helicópteros e carros blindados, é apontada como uma das mais mortais em uma década, em uma longa história de uso “desproporcional e desnecessário” da força pela polícia, disse o porta-voz do Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU, Rupert Colville, em entrevista coletiva em Genebra.

Para Colville, os efeitos mortais do evento deixam claro que as instituições superiores brasileiras, sobretudo as do Judiciário, não estão conseguindo impedir ações abusivas da polícia. O porta-voz chamou a ação de ontem no Jacarezinho de “perturbadora, desnecessária, exagerada e letal”. 

Além do confronto em área residencial, a Defensoria Pública do Rio de Janeiro afirmou em entrevista coletiva na última quinta-feira (6) que informações divulgadas por moradores, entidades de direitos humanos e veículos de imprensa apontam para a possibilidade de execuções durante a ação.

“O primeiro choque foi a quantidade de sangue. Muitos muros cravejados de bala. Muitas portas. Duas casas impactaram muito. Na primeira, a família foi retirada e ali morreram dois rapazes. A casa estava repleta de sangue, massa encefálica. E a senhora que mora estava muito impactada. A segunda casa tinha uma criança de 8 anos. Um rapaz foi executado ao lado dessa criança. Chamou a atenção também, porque, pelos relatos, esses dois casos aconteceram em execuções. Essas pessoas foram tiradas já mortas”, afirmou a defensora pública do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos Maria Julia Miranda. 

As vítimas incluíam um policial. Segundo informações oficiais reportadas até o momento pela polícia, as demais vítimas seriam suspeitos de pertencer à organização criminosa que domina a favela, incluindo alguns de seus líderes. No entanto, não há informações com base em investigação de legistas que comprovem que todas as vítimas tinham ligação com o crime organizado.

Com exceção do policial André Frias, nenhuma das 25 pessoas mortas no confronto teve os nomes divulgados.

Alguns dos alvos da operação no bairro periférico do Jacarezinho tentaram escapar pelos telhados das casas quando a polícia chegou em veículos blindados e helicópteros que sobrevoaram a área, como mostraram imagens de televisão. O tiroteio obrigou os moradores a se abrigarem em suas casas.

Essa foi a operação policial mais mortal em 16 anos no estado do Rio, que há décadas sofre com a violência relacionada às drogas em suas inúmeras favelas.

(Com informações da Reuters e Pauline Almeida, Pedro Duran, Thayana Araujo, da CNN, no Rio de Janeiro)

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Brasil

Trabalhadores nascidos em junho podem sacar auxílio emergencial

Trabalhadores informais e inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) nascidos em junho podem sacar, a partir desta sexta-feira, 7, a primeira parcela do auxílio emergencial 2021. O dinheiro havia sido depositado nas contas poupança digitais da Caixa Econômica Federal em 18 de abril.

Os recursos também poderão ser transferidos para uma conta corrente, sem custos para o usuário. Até agora, o dinheiro podia ser movimentado apenas por meio do aplicativo Caixa Tem, que permite o pagamento de contas domésticas (água, luz, telefone e gás), de boletos, compras em lojas virtuais ou compras com o código QR (versão avançada do código de barras) em maquininhas de estabelecimentos parceiros.

Em caso de dúvidas, a central telefônica 111 da Caixa funciona de segunda a domingo, das 7h às 22h. Além disso, o beneficiário pode consultar o site auxilio.caixa.gov.br.

O auxílio emergencial foi criado em abril do ano passado pelo governo federal para atender pessoas vulneráveis afetadas pela pandemia de covid-19. Ele foi pago em cinco parcelas de R$ 600 ou R$ 1,2 mil para mães chefes de família monoparental e, depois, estendido até 31 de dezembro de 2020 em até quatro parcelas de R$ 300 ou R$ 600 cada.

Neste ano, a nova rodada de pagamentos, durante quatro meses, prevê parcelas de R$ 150 a R$ 375, dependendo do perfil: as famílias, em geral, recebem R$ 250; a família monoparental, chefiada por uma mulher, recebe R$ 375; e pessoas que moram sozinhas recebem R$ 150.

Regras

Pelas regras estabelecidas, o auxílio será pago às famílias com renda mensal total de até três salários mínimos, desde que a renda por pessoa seja inferior a meio salário mínimo. É necessário que o beneficiário já tenha sido considerado elegível até o mês de dezembro de 2020, pois não há nova fase de inscrições. Para quem recebe o Bolsa Família, continua valendo a regra do valor mais vantajoso, seja a parcela paga no programa social, seja a do auxílio emergencial. (ATarde)

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